Apresentação

A Comissão Artística de Dança e Acessibilidade Cultural do Sindicato dos Profissionais de Dança do Estado do Rio de Janeiro (SPDRJ) constitui-se como um espaço político, estético e ético de afirmação e defesa dos direitos de artistas com deficiência, corpos dissidentes e experiências que tensionam as normatividades históricas no campo da dança e das artes.

Criada em 2015, essa Comissão nasce de uma trajetória forjada por décadas de mobilização, trabalho, criação e enfrentamento às exclusões estruturais que atravessam o campo profissional da dança. É resultado do protagonismo de artistas, ativistas, pesquisadoras, trabalhadores e trabalhadoras da cultura que, há mais de três décadas, constroem práticas, saberes e políticas que desafiam a lógica capacitista e excludente que ainda opera nas instituições culturais, nos processos de formação e nos sistemas de reconhecimento profissional.

A Comissão existe porque entendemos que não é possível falar em trabalho artístico, em cultura ou em direitos culturais no século 21 sem enfrentar, de maneira radical, as desigualdades que marcam os corpos, os territórios, as trajetórias e os modos de existir.

Por que esta comissão importa?

O campo da dança, como tantos outros, foi historicamente estruturado a partir de padrões normativos de corpo, técnica, estética e formação. Esses padrões produziram barreiras concretas para que artistas com deficiência — e outros corpos dissidentes — fossem reconhecidos como profissionais, trabalhadores e fazedores de cultura.

O Direito de Registro Profissional (DRT), conquista fundamental da categoria, permaneceu, durante décadas, inacessível a quem não se enquadrava nos modelos hegemônicos de formação e performance. Isso não é um problema individual, mas estrutural — e exige respostas institucionais, políticas e éticas.

A Comissão atua justamente para afirmar que o trabalho em dança não pode ser reduzido a padrões corporais, trajetórias formais ou critérios tecnicistas. Ao contrário, a profissionalização na dança se sustenta na legitimidade dos saberes produzidos nos territórios, nas práticas coletivas, nos processos formativos não convencionais, nas criações autorais e nas epistemologias que emergem dos próprios corpos e experiências dissidentes.

O que defendemos

✔️ Reconhecimento pleno dos direitos profissionais de artistas com deficiência e de corpos dissidentes no campo da dança e da cultura.
✔️ Revisão e ampliação dos critérios de avaliação e concessão de DRT, considerando saberes constituídos na prática, na criação, na pedagogia, na participação em coletivos, mostras, festivais e processos formativos diversos.
✔️ Uma concepção de acessibilidade cultural como princípio estruturante — e não como adaptação, concessão ou apêndice —, presente nos processos artísticos, políticos, formativos, institucionais e laborais.
✔️ A afirmação de epistemologias encarnadas, insurgentes, sensíveis e coletivas, que deslocam os paradigmas capacitistas e normativos, e que expandem os sentidos do fazer artístico e da própria ideia de cultura.
✔️ O enfrentamento das desigualdades históricas e a construção de condições de trabalho justas, equânimes e plurais, alinhadas aos desafios do século 21 e aos direitos culturais previstos na legislação nacional e internacional.

Como atuamos

A Comissão atua de forma direta e permanente nos processos de orientação, acompanhamento, análise e emissão de pareceres para requerimentos de registro profissional (DRT), garantindo que os critérios aplicados estejam alinhados com os princípios de equidade, diversidade e justiça cultural.

Além disso, desenvolvemos ações de formação, articulação política, incidência institucional e produção de conhecimento, fortalecendo a pauta da acessibilidade cultural como direito e como prática indissociável do fazer artístico e profissional.

Nossa atuação se conecta a redes, movimentos sociais, coletivos, fóruns e políticas públicas que defendem os direitos culturais, os direitos das pessoas com deficiência e a radical democratização do acesso e da participação no campo das artes e da cultura.

Seguimos…

A existência desta Comissão é, antes de tudo, uma afirmação política, estética e ética de que o campo da dança é múltiplo, plural, insurgente — e que não pode mais ser capturado pelos modelos que historicamente tentaram domesticar corpos, silenciar saberes e excluir presenças.

Seguimos comprometidas e comprometidos com a construção de um campo profissional que reconheça, valorize e legitime as muitas presenças que fazem da dança um território de invenção, de resistência e de transformação social.

Porque não há mais tempo a perder.
Se o século 20 produziu exclusões, é tarefa urgente do século 21 garantir as condições plenas de trabalho, criação e reconhecimento para artistas com deficiência e para todos os corpos que desafiam as normas.

A dança — como campo de cultura, de trabalho e de produção de mundos — é e será atravessada pelas presenças que insistem, resistem e transformam.

Coordenação

A Comissão é composta por artistas, profissionais da dança e especialistas em acessibilidade, tendo na coordenação Andréa Chiesorin Nunes, artista, pesquisadora, dançarina e ativista, com atuação consolidada há mais de três décadas na articulação entre dança, acessibilidade cultural e políticas públicas.